Reabilitação e ampliação de edifício na Rua de São Paulo
Lisboa
2015-2018
Trata-se da reabilitação de um edifício modernista de sete pisos, na Rua de São Paulo, em Lisboa, construído originalmente em 1938, o que faz deste edifício um caso invulgar naquela zona da cidade, pelas suas distintas características arquitetónicas, mas também pelo facto do programa original ser de um edifício de escritórios, que alojou diversas empresas e espaços comerciais ao longo do século XX.
A intervenção valorizou os materiais existentes, como o pavimento e a escada em madeira, o tijolo de vidro e diversos pormenores em estuque, procurando redesenhar os novos elementos a partir da leitura e interpretação das marcas do edifício. Valorizou-se também o caracter do espaço longitudinal, organizando a nova compartimentação valorizado a profundidade espacial e as entradas de luz, modernizando e tornando mais confortável.
Programa
O objetivo desta intervenção foi a adaptação ao uso habitacional, num momento em que a reabilitação começou a transformar o centro histórico da cidade de Lisboa, que procurava ter maior oferta de habitação tornando-se viável economicamente o investimento necessário.
Assim, tirando partido das plantas livres dos escritórios, em quatro dos sete pisos fizeram-se habitações T0, reforçando o carater longitudinal do espaço existente, fazendo a separação do quarto através de um móvel e portas de correr, valorizando a profundidade do espaço que caracteriza o edifício.
Nos dois últimos pisos foi construído um T2 duplex tirando partido dos terraços aí existentes para desfrutar de magníficas vistas sobre a cidade e o rio. Foi necessário demolir construções precárias e fazer uma ampliação para ligar à parte tardoz.
Sustentabilidade: valorização dos materiais e do desenho original
O edifício, construído já com estrutura de betão armado, foi globalmente mantido na sua volumetria, lajes, desenho de alçados e caixa de escada. Nas fachadas, desenharam-se novos vãos (portas e janelas) pois, dos originais, quase nada restava.
O interior, alterado ao longo dos anos em sucessivas intervenções desqualificadoras, foi integralmente refeito, tendo sido possível recuperar o pavimento em tacos de madeira do piso 1 ainda original. Este serviu de modelo para os restantes pisos onde se repuseram os pavimentos em tacos, entretanto desaparecidos.
Seguindo este mesmo princípio, refizeram-se sancas em estuque a partir de alguns fragmentos da construção original e as portas interiores foram redesenhadas, reinterpretando a estética Art Déco, o mesmo se passando com elementos de revestimento em madeira folheada, em ripado de madeira ou em madeira canelada.
A madeira foi usada de diferentes maneiras, pintada, à vista, estabelecendo a continuidade e articulação com os restantes – estuques, mármores, tijolo de vidro, pastilha cerâmica.
De referir que a escada original, revestida em madeira tropical de grande qualidade, foi mantida, uma vez que se trata de tacos, degraus e balaústres maciços em perfeito estado de conservação depois de 80 anos de utilização.
Procurou-se o desenho original dos vãos exteriores e do saguão para redesenhar as novas caixilharias. Nos dois últimos pisos foi necessário ampliar a ligação entre o corpo principal e entendeu-se que o tijolo de vidro, este com características térmicas adequadas, seria o material novo ideal para se conjugar com um edifício desta época, além que já existia noutras partes do edifício.
AUTORIA
Cátia Santana
Rui Alves
COORDENAÇÃO
Cátia Santana
EQUIPA
arquitetura
Óscar Bouça
Rui Cavaleiro
Melissa Silva
Luísa Sanches
Giulia Tosi
Nélson Caracol
ESPECIALIDADES
Estabilidade: Pedro Viegas
Águas e Esgotos / AVAC / Térmica: António Figueirinhas
Eletricidade / ITED: Raul Simplício
SCIE: Helder Sousa
Acústica: Nuno Piedade
PROMOTOR
PSINVEST SA
CONSTRUTORA
Henrique Vilarinho Construções Lda
FOTOGRAFIA
Rui Cavaleiro